LASA2020 Améfrica Ladina: vinculando mundos y saberes, tejiendo esperanzas

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Améfrica Ladina: vinculando mundos y saberes, tejiendo esperanzas

A Améfrica Ladina pretende dar um passo na mesma direção da designação Nuestra América, no lugar de América Latina, que sublinha a latinidade da região, isto é, seus vínculos com a Europa, e oculta ou deixa de lado a participação de outros povos nesse processo, tais como os ameríndios e de origem africana. A expressão Améfrica Ladina, cunhada pela intelectual afrobrasileira Lelia González, busca viabilizar explícitamente a presença dessas populações e das populações mestiças no projeto social da Nuestra América e reivindicar essa herança plural da qual fomos despojados.

Por que “vincular mundos, saberes e disciplinas” e “tecer esperanças”? Em primeiro lugar, porque as marcadas tendências conservadoras, excludentes, misóginas e racistas que caracterizam essa recente “guinada para a direita” que enfrentamos em nossa região exigem um grande esforço conjunto intelectual e político para serem explicadas e desafiadas. Em segundo lugar, porque a racionalidade neoliberal, que espalha os valores do mercado a cada esfera da vida, fragmentou e rompeu o tecido social da região e o reconhecimento de uma humanidade comum, aumentando a desigualdade de classes, gênero, etnia e cor da pele. E, em terceiro lugar, porque, neste contexto, precisamos proporcionar a possibilidade de se pensar e interpretar diferentes modos de vida coletiva e gerar diversas práticas colaborativas de produção do conhecimento.

Diante da constatação dos efeitos dessa direitização do continente e do desalento que se produz e se generaliza, vale a pena voltar nossa visão e nossas expectativas aos ensinamentos trazidos por muitas lutas concretas e cotidianas dos que se encontram próximos da Améfrica Ladina, a fim de dar sustento à vida coletiva e individual, humana e interespécies, preservando-a, reparando-a e a prolongando. Eles e elas entretêm vínculos sociais, praticando os princípios de solidariedade, cuidado mútuo e compartilhamento recíproco. Mas em que medida essas experiências incidiram sobre as políticas públicas, ou foram escutadas essas vozes nos órgãos de decisão política?

Sob a perspectiva que abre o projeto da Améfrica Ladina, os “estudos latinoamericanos”, junto a outras formas de pensamento escoradas nas lutas pela despatriarcalização, pela emancipação e pela descolonização, podem responder de novas maneiras a perguntas específicas e a necessidades tanto intelectuais como materiais da região.

O Congresso LASA2020, em Guadalajara, convida a tomaremse alguns passos nessa direção; vinculando de modo cada vez mais estreito o legado intelectual internacional às realidades e experiências “ladino-amefricanas”; encorajando uma análise profunda da estrutura e dinâmica de poder e dominação que inclua o comunicacional, o midiático e os contrapúblicos das redes sociais; fomentando os debates horizontais e interdisciplinares entre os estudiosos latinoamericanos, junto aos movimentos sociais; incorporando os académicos que trabalham sobre a América Latina e se comunicam principal ou exclusivamente em inglês, em condição de igualdade, isto é, sem uma voz privilegiada ou dominante; promovendo uma participação maior de intelectuais indígenas e afrodescendentes (mulheres e homens) em todas as seções; melhorando as oportunidades para que esses intelectuais participem das diferentes atividades acadêmicas promovidas pela LASA.

Precisamos entrelaçar mundos e saberes que abordam o mesmo problema a partir de perspectivas e ângulos diferentes, cuja separação foi acentuada pela lógica de mercado e pelas tendências políticas direitizantes. É necessário tecer esperanças, intelectuais, sociais, ecológicas, políticas e culturais para avançar pelo caminho sinuoso de busca de um futuro sustentável no qual a Améfrica Ladina tenha relações de sobrevivência e reexistência para compartilhar.